Detalhe de Notícia
1-6-2010

Comunicado

 ----Caro CAMTIL, ----

 ----Há cerca de 12 anos iniciámos um projecto que hoje conhecemos como  Fundo Social. Este partiu da iniciativa da Direcção de então que propôs criar oportunidade a crianças oriundas de meios sociais desfavorecidos de passar um verão diferente, atribuindo vagas nos Campos. Aquando do seu lançamento, os participantes deste projecto tinham ligação directa a membros da Direcção ou outros Animadores, isto é, Camtílicos requeriam à Associação a possibilidade de conhecidos seus com carências sociais, participarem nos Campos. Desde então, estas vagas foram alargadas a crianças de Instituições de Solidariedade Social.

 ----Após mais de dez anos deste projecto, considerou-se necessário repensar o seu propósito e perceber se o perfil e capacidade do CAMTIL lhe permitiam assumir este compromisso com qualidade e responsabilidade. Assim se iniciou um processo de reflexão e discussão sobre o Fundo Social, processo esse alvo de longo período de dedicação de toda a Direcção. No fim-de-semana de 20 de Fevereiro, as 3 Direcções Regionais reuniram-se para decidir sobre este assunto. A discussão foi demorada e carregada de emoções até se concluir que só faria sentido prosseguir com este projecto caso o Camtil se comprometesse a dar continuidade no acompanhamento a cada criança que fizesse Campo por esta via. Com este compromisso, o Camtil pretendia que o Campo de verão oferecido a estes miúdos com necessidades especiais, não se resumisse em 10 dias de acampamento, 10 dias esses que em muitos casos se traduzem numa luta por aceitação e inserção num ambiente tão diferente do deles. Concluiu-se que se a experiência que o Camtil podia oferecer eram apenas esses 10 dias, que então este projecto não estaria a gerar o bem maior.

 ----Foi difícil compreender que assumir a incapacidade do Camtil em dar a resposta necessária a estas crianças não se traduzia numa desistência, num sinal de fraqueza, numa missão diminuída, mas sim na humildade de reconhecer que o Camtil não tem capacidade, nem meios nem preparação para prosseguir este caminho com a seriedade, compromisso e responsabilidade que o mesmo exige.

 ----A opção pela extinção do Fundo Social representa assim este reconhecimento, sem que isto signifique a demissão do Camtil do seu objectivo de formar “pessoas para as pessoas”, com elevado sentido de serviço e missão junto dos que mais precisam.

 ----Como Associação de Campos de Férias baseados no Espírito Inaciano, também nós abraçamos aqueles que são os dois eixos pelos quais os Jesuítas procuram pautar o apostolado: Promoção de Justiça e Anúncio da Fé. Se nos apercebemos que o modo como se tinha vindo a integrar o Fundo Social nos Campos do Camtil não trazia os frutos desejados, a proposta que fazemos agora é a de apostar neste eixo de Promoção de Justiça. Com o património de experiências positivas e negativas do Fundo Social, podemos pensar como reafirmar na missão do Camtil o Anúncio de Fé e Promoção da Justiça. Cabe-nos agora o compromisso de pensar, rezar, construir este eixo, de lhe dar corpo digno da criatividade e desejo de bem que tanto caracterizam o Camtil; de assumir esta missão como prioridade no próximo ciclo de vida Camtílica.

 ----Por fim, importa sublinhar que a adopção desta reforma não nega o compromisso assumido pelo Camtil com as crianças de Fundo Social que já tiveram oportunidade de viver pelo menos um Campo de férias. A estas será oferecida a possibilidade de participarem nos Campos até ao limite da idade estipulada para tal, reconhecendo como objectivo um esforço aumentado em fazê-lo melhor.

 ----Sabemos que esta decisão pode levantar vários pontos de interrogação, várias dúvidas, por isso queremos também comunicar a nossa disponibilidade para as esclarecer (duvidas@camtil.pt). 

 ----Sem mais a acrescentar e, em nome da Direcção,

 ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ----Mafalda Sousa Guedes



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